Creation Details
Prompt: Valentina tinha cabelos cacheados que pareciam pequenas molas saltitantes e olhos grandes, curiosos, do tipo que vivem procurando histórias escondidas no mundo. Ela adorava desenhar. Desenhava em folhas, em cadernos, nas bordas dos livros e, quando ninguém estava olhando, até no verso das contas de casa. Mas o que Valentina mais gostava de desenhar… era Nossa Senhora Aparecida. Na mesa do quarto ficava sempre uma caixa de lápis de cor aberta. Azul, amarelo, rosa, verde… e um monte de papéis espalhados. Toda tarde, depois de terminar as tarefas, ela sentava ali e começava. — Hoje a senhora vai ganhar flores — murmurava a menina, concentrada. Ela desenhava o manto azul bem grande. Depois a coroa dourada. Depois flores amarelas dançando ao redor. E, por fim, um arco de cores que parecia um pequeno arco-íris saindo do vestido. Valentina desenhava com tanta dedicação que às vezes parecia que estava conversando com o papel. — A senhora acha bonito assim? — perguntava baixinho. O quarto ficava em silêncio. Ou quase. Porque naquele dia aconteceu uma coisa… curiosa. Enquanto Valentina terminava de colorir o manto azul, uma brisa suave entrou pela janela. Não era vento forte, não. Era daquelas brisas tímidas, como se alguém tivesse soprado de leve. Os papéis da mesa se mexeram. Os lápis rolaram um pouquinho. E o desenho… brilhou. Valentina piscou. — Ué… Ela aproximou o rosto do papel. O azul parecia mais vivo. O dourado da coroa parecia luz de verdade. Então algo impossível aconteceu. A pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida levantou os olhos e sorriu. Valentina arregalou os olhos. — Você… viu? — perguntou para ninguém. A figura no papel inclinou a cabeça com calma, como quem sempre esteve ali. A menina ficou imóvel por alguns segundos, o lápis ainda na mão. — Eu… eu desenhei a senhora. O sorriso continuou. E naquele instante Valentina entendeu uma coisa muito simples que às vezes até adulto esquece: quando alguém desenha com amor de verdade, o desenho ganha um pedacinho de vida. As cores começaram a se mover. O azul virou um pequeno redemoinho de tinta que saiu do papel e girou pelo ar. As flores amarelas flutuaram como se fossem pétalas reais. Até os lápis de cera começaram a deslizar sozinhos pela mesa. Valentina abriu um sorriso enorme. — Eu fiz mágica! Não era exatamente mágica. Valentina ficou olhando para as cores que giravam no ar, para as flores que flutuavam, para os lápis que deslizavam sozinhos — e sentiu que havia algo ali que não tinha nome certo. Algo que mora entre acreditar e imaginar, num lugar que só crianças conhecem o endereço. A pequena Nossa Senhora desenhada estendeu a mão. Do manto azul saiu um rastro de cores, como um rio de tinta que atravessava o ar. Azul, rosa, amarelo e verde se misturavam como um arco-íris brincalhão. Valentina estendeu a mão também. Quando tocou na tinta colorida, sentiu algo quente no peito. Não era calor de fogo. Era aquela sensação boa que aparece quando alguém sente que não está sozinho. — Posso continuar desenhando a senhora amanhã? — perguntou a menina. A figura apenas sorriu de novo. As cores lentamente voltaram para o papel. As flores pararam de flutuar. Os lápis ficaram quietos. E tudo voltou ao normal… ou quase. Porque quando Valentina olhou para o desenho novamente, percebeu algo diferente. Agora, ao lado da pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida, havia outra figura desenhada. Uma menina cacheada. Com um lápis na mão. Valentina riu. — Acho que a senhora também gosta de desenhar comigo. Naquela noite, antes de dormir, ela colocou o desenho ao lado da cama. E cochichou: — Boa noite. Talvez tenha sido imaginação. Talvez tenha sido sonho. Ou talvez algumas coisas bonitas simplesmente aconteçam quando alguém desenha com o coração. E desde aquele dia, cada novo desenho de Valentina parecia um pouco mais vivo… como se as cores soubessem que estavam contando uma história. Afinal, no mundo das crianças, papel, fé e imaginação às vezes fazem um acordo secreto.
Art Style: Urban Drama
Color Mode: Full Color
Panels: 1
Created:
Manga Story #4257 - AI Manga | Mangii | Mangii