Creation Details
Prompt: Capítulo 1 — Quando o Céu Parou O vento não estava forte naquela noite. Na verdade… estava calmo demais. O tipo de silêncio que fazia o campo parecer prender a respiração. Dentro de uma pequena casa de madeira, uma luz amarelada escapava pelas janelas. O cheiro de arroz cozinhando se espalhava pelo ambiente, quente e confortável. Yuki estava sentado no chão. Um garotinho de dois anos, com cabelos dourados levemente bagunçados e olhos cianos claros como céu de inverno. Ele segurava um pequeno pedaço de madeira esculpido. Parecia uma espada. Ou pelo menos era assim que ele imaginava. — Yuki, não coloque isso na boca — disse sua mãe, virando-se da panela. Seu tom era firme, mas havia um sorriso escondido ali. O pai riu alto. — Deixa ele, talvez esteja treinando. A mãe cruzou os braços. — Treinando? Ele mal consegue alcançar a mesa. O pai se aproximou e levantou Yuki nos ombros. — Todo grande guerreiro começa pequeno. Yuki segurou o cabelo do pai para não cair. Ele não entendia completamente as palavras. Mas entendia o som do riso. O calor da casa. O cheiro da comida. Algumas memórias não precisam de linguagem. Elas apenas ficam. Gravadas. Para sempre. A casa era simples. Madeira clara. Telhado inclinado. Um pequeno campo ao redor. Um mundo pequeno. Um mundo seguro. Yuki olhou para a janela. As estrelas brilhavam. Ele gostava das estrelas. Elas pareciam… tranquilas. Bonitas… Então algo mudou. Ele não sabia explicar. Mas o céu parecia… estranho. Primeiro, uma estrela desapareceu. Depois outra. Depois mais uma. Não foi rápido. Foi lento. Como se alguém estivesse apagando o céu. Do lado de fora, os grilos pararam de cantar. Os cães começaram a uivar. O ar ficou pesado. O pai percebeu primeiro. Ele abriu a porta e saiu. O vento frio da noite tocou seu rosto. Ele olhou para o céu escurecendo. Seu sorriso desapareceu. — Isso não é natural… Então o chão vibrou. Não como um terremoto. Era diferente. Como se algo gigantesco estivesse empurrando o mundo por baixo. Dentro da casa, a mãe apertou Yuki contra o peito. — Vai ficar tudo bem… Mas sua voz tremia levemente. Então o céu… rasgou. Não foi um relâmpago. Foi como tecido sendo aberto. Uma fenda negra apareceu no céu. E dela… algo começou a descer. Criaturas. Massas vivas de escuridão. Formas que se contorciam de maneiras impossíveis. Braços surgiam e desapareciam. Olhos se abriam onde não deveriam existir olhos. As criaturas do abismo tocaram o chão. E o mundo entrou em caos. Gritos ecoaram pelo vilarejo. Portas se abriram. Pessoas correram. Crianças choravam. A neve branca foi manchada de vermelho. O pai de Yuki arrancou uma lâmina velha da parede. Estava cega. Enferrujada. Mas ele a segurou com firmeza. Ele olhou para a esposa. Depois para o filho. E sorriu. Um sorriso simples. Humano. — Não vou deixar vocês levarem minha família. Ele avançou. Contra monstros que não deveriam existir. Yuki observava tudo do colo da mãe. Seu coração pequeno batia rápido. Algo dentro dele sentia que aquilo estava… errado. Muito errado. As criaturas avançaram. Muitas. Rápidas. O pai lutou. Golpeou. Gritou. Mas era apenas um homem. E eles eram incontáveis. Uma das criaturas lançou fragmentos de escuridão. Um deles atravessou o ar. Atingiu a mãe. Ela caiu na neve. Seu sangue começou a manchar o branco do chão. O mundo ficou silencioso para Yuki. Muito silencioso. Ele não chorou. Não sabia exatamente o que estava acontecendo. Mas algo dentro dele quebrou. Então… o ar ficou pesado. Muito pesado. As criaturas do abismo pararam. O vento cessou completamente. Até os monstros pareceram hesitar. Algo estava chegando. Algo antigo. Algo imenso. Então o céu tremeu. Uma presença colossal desceu do alto. Não como uma queda. Mas como um decreto inevitável. As nuvens se abriram. Escamas gigantes refletiram a luz das estrelas. Asas vastas cobriram parte do céu. Olhos dourados brilharam como dois sóis antigos. Um dragão. Majestoso. Antigo. Impossível. As criaturas do abismo tentaram fugir. Tarde demais. Um único movimento. O ar explodiu. As sombras foram apagadas como poeira. Silêncio absoluto caiu sobre o campo destruído. O dragão pousou. Mesmo sem tocar totalmente o chão, a terra rachou sob sua presença. Ele olhou para o pequeno Yuki. Não havia compaixão. Nem crueldade. Apenas… avaliação. Yuki sentiu aquele olhar atravessar sua mente. Grande… Era a única palavra que sua mente infantil conseguiu formar. O dragão inclinou lentamente a cabeça. Então a voz veio. Não pelo ar. Não pelos ouvidos. Mas diretamente dentro da mente dele. Suave. Antiga. E feminina. — Ainda não. A voz carregava uma calma profunda. Quase gentil. Mas também algo vasto demais para ser compreendido. Uma garra colossal se aproximou. A ponta tocou levemente a testa de Yuki. Algo foi marcado ali. Não queimou. Não doeu. Mas ficou. Para sempre. A voz falou novamente. Mais baixa. — Durma… pequeno escolhido. A visão de Yuki começou a escurecer. A última coisa que ele viu… foi o céu se fechando novamente. Como se nada tivesse acontecido. Prólogo — O Que Restou na Neve O silêncio depois da destruição era pior do que os gritos. A neve continuava a cair lentamente. Flocos brancos desciam do céu escuro e cobriam tudo: pegadas, marcas de batalha… e manchas de sangue. Era como se o próprio mundo tentasse esconder o que havia acontecido ali. As casas do vilarejo estavam destruídas. Algumas tinham paredes quebradas. Outras queimavam lentamente, brasas fracas iluminando a noite. O cheiro de madeira queimada misturava-se com o ferro do sangue no ar frio. Nenhuma das criaturas permanecia. Nenhum rastro da fenda que rasgara o céu. Era como se o horror tivesse sido apagado da realidade. Exceto pelas marcas profundas no chão. E pelos corpos imóveis espalhados pela neve. Horas depois, cavaleiros da patrulha fronteiriça chegaram. A notícia de uma anomalia no céu havia sido enviada por um vilarejo distante. Eles também haviam visto as estrelas desaparecerem. O capitão desmontou primeiro. A neve rangia sob suas botas. Seus olhos percorreram lentamente o cenário devastado. Casas destruídas. Armas abandonadas. Corpos congelando na neve. Seu rosto endureceu. — Isso não foi um ataque comum… Um dos cavaleiros examinava o chão. — Não há pegadas claras, senhor. Outro falou logo depois. — E não parece ataque de bandidos… nem de monstros conhecidos. O capitão caminhou mais alguns passos. Algo naquele lugar era estranho. A destruição parecia… precisa demais. Como se duas forças enormes tivessem colidido ali. E depois desaparecido. Então um dos cavaleiros parou abruptamente. — Capitão… aqui! Ele apontava para o centro do campo. Parcialmente coberto pela neve… havia uma pequena figura. Um garoto. Deitado de lado. Imóvel. O capitão aproximou-se rapidamente e se ajoelhou. Ele afastou a neve do rosto da criança. Cabelos dourados. Pele pálida. Respiração fraca. Mas viva. — Impossível… Ele examinou o corpo do garoto. Nenhum corte. Nenhum ferimento grave. Nada quebrado. Ao redor dele, porém, o chão estava diferente. Grandes fissuras circulares se espalhavam pela terra congelada. Como se algo extremamente pesado tivesse pousado ali. Mas não havia pegadas. O capitão franziu o cenho. — Ele estava… no centro disso tudo. Como uma criança poderia sobreviver a algo assim? Yuki abriu lentamente os olhos. Seu olhar ciano parecia distante. Confuso. Por um segundo, ele encarou o céu. As estrelas estavam lá novamente. Brilhando normalmente. Mas ele lembrava. Elas tinham sumido. Depois voltado. Algo naquela lembrança fazia seu peito apertar. Uma sensação estranha. Fria. Silenciosa. Seus olhos encontraram os do capitão. O homem esperava choro. Pânico. Confusão. Mas não havia nada disso. Apenas silêncio. E algo mais difícil de explicar. Observação. Como se o garoto estivesse analisando o mundo ao seu redor. O capitão sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Não era medo. Mas a sensação estranha de estar diante de algo… incomum. Como se aquela criança tivesse sobrevivido não por sorte. Mas por decisão de algo maior. Ele se levantou lentamente. — Levem o garoto. Com cuidado, envolveram Yuki em um manto grosso. Enquanto o carregavam, o vento soprou novamente. Desta vez, normal. Frio. Natural. As estrelas brilhavam no céu como se nunca tivessem desaparecido. Mas muito acima das nuvens… invisível aos olhos humanos… algo ainda observava. Não com arrependimento. Nem com pressa. Mas com expectativa. E sob a pele intacta da testa do pequeno Yuki… algo pulsou uma única vez. Uma marca invisível. Como resposta.
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Manga Story #3822 - AI Manga | Mangii | Mangii