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- #1“ --- CHICAGO — 20/08/2043 A notícia da morte de Marta espalhou-se como uma praga silenciosa, atravessando fronteiras, telas e corações. Nos jornais, nas emissoras, nas ruas — o nome dela ecoava entre choro e incredulidade. Uma vida arrancada por um encapuzado. Uma facada no pescoço. Fria. Rápida. Cruel. Era uma noite gélida em Chicago. O vento cortava como navalha, as luzes dos prédios iam se apagando, uma a uma. O mundo parecia cansado de si mesmo. Entre as sombras, um homem de casaco preto e gorro trancava as portas de um pequeno dojo. Suas mãos tremiam levemente — não de frio, mas de desgaste. O corpo já não obedecia como antes. Cada passo era acompanhado de um leve mancar, um lembrete constante de que o tempo não perdoa nem os heróis. Ele entrou no carro, dirigiu em silêncio pelas avenidas molhadas de chuva. Os faróis refletiam seu rosto enrugado, os olhos fundos e tristes — o olhar de quem já viu o inferno e voltou mais de uma vez. Parou em uma conveniência quase vazia. Comprou pão, leite, algumas frutas. Coisas simples que o faziam lembrar que ainda era humano. Mas então… a televisão atrás do balcão mostrou a manchete: “MARTA WEST — MORTA A SANGUE FRIO EM LOS ANGELES.” O homem congelou. A sacola escorregou de suas mãos. Por um instante, o mundo parou. O noticiário mostrava a cena do crime, a sirene, o lençol branco. Um lampejo de dor atravessou seu peito. Ele sabia quem ela era. E o que ela significava para os outros… e para ele mesmo. Antes que pudesse reagir, o sino da porta tilintou — quatro homens encapuzados entraram, armas em punho. Assaltante (gritando): — Vai, porra! Passa o dinheiro logo! O atendente tremia enquanto abria o caixa. O homem — o mesmo que há pouco fitava a tela — fechou os punhos, respirou fundo. O instinto antigo despertava, mesmo que o corpo gritasse de dor. Assaltante 2 (rindo): — Esse aí é o professorzinho de karatê! Vai fazer o quê, coroa? Nos dar uma rasteira? O homem ergueu o olhar, frio, firme, cansado. ??? — Só deixem o garoto em paz. E ninguém leva dinheiro nenhum. Assaltante 3 (ameaçando): — Cala a boca, velho. Tu não manda em nada. Vai é tomar bala. Os disparos ecoaram. O corpo do homem cambaleou para trás, o sangue escorrendo do peito. Mas ele não caiu. As balas, aos poucos, começaram a ser expelidas pela carne, caindo no chão com estalos metálicos. Os ladrões ficaram imóveis — o medo substituindo a arrogância. Eles sabiam quem era. E então ele se moveu. Um soco. Um chute. Um grito. Um corpo atravessando a prateleira de bebidas. Outro desarmado em um piscar de olhos. Era como assistir um fantasma lutando — um fantasma cansado, mas ainda mortalmente perigoso. Quando tudo terminou, os bandidos estavam no chão, gemendo. O atendente o reconheceu, ofegante. Atendente: — Senhor Tunner… eu… desculpe, não tinha percebido que era o senhor… muito obrigado! Jason (sorrindo de canto, voz rouca): — Não há de quê. Chame a polícia e vá pra casa. A cidade fica pior depois da meia-noite. Ele pegou as compras, saiu mancando até o carro. Tossiu forte. Quando olhou para a mão… sangue. Um silêncio amargo o dominou. Jason (pensamento): — …Então é verdade. Ela voltou. A doença… e eu estou ficando velho. Dentro de sua mente, uma voz sombria se ergueu. Morlok (ecoando, preocupado): — Você está cansado… conseguiu se segurar dessa vez, mas está cansado, Jason. Jason (voz rouca): — Acha mesmo? Morlok: — Eu sinto o que você sente. O corpo enfraquece, a alma se cala. Você não é mais o mesmo. E mesmo lutando contra a doença, ainda carrega a maldição que me mantém em você. Jason (olhar perdido): — Eu vi a notícia. A mãe do Jhony… morta. Senti como se fosse minha família. E se… e se isso acontecer com os meus? Morlok (voz grave e calma): — O medo é o preço de ainda ser humano. E é isso que te mantém lutando. Jason (engolindo seco): — Mas e se eu não for rápido o bastante? E se for”
- #2“Quando tudo terminou, os bandidos estavam no chão, gemendo. O atendente o reconheceu, ofegante. Atendente: — Senhor Tunner… eu… desculpe, não tinha percebido que era o senhor… muito obrigado! Jason (sorrindo de canto, voz rouca): — Não há de quê. Chame a polícia e vá pra casa. A cidade fica pior depois da meia-noite. Ele pegou as compras, saiu mancando até o carro. Tossiu forte. Quando olhou para a mão… sangue. Um silêncio amargo o dominou. Jason (pensamento): — …Então é verdade. Ela voltou. A doença… e eu estou ficando velho. Dentro de sua mente, uma voz sombria se ergueu. Morlok (ecoando, preocupado): — Você está cansado… conseguiu se segurar dessa vez, mas está cansado, Jason. Jason (voz rouca): — Acha mesmo? Morlok: — Eu sinto o que você sente. O corpo enfraquece, a alma se cala. Você não é mais o mesmo. E mesmo lutando contra a doença, ainda carrega a maldição que me mantém em você. Jason (olhar perdido): — Eu vi a notícia. A mãe do Jhony… morta. Senti como se fosse minha família. E se… e se isso acontecer com os meus? Morlok (voz grave e calma): — O medo é o preço de ainda ser humano. E é isso que te mantém lutando. Jason (engolindo seco): — Mas e se eu não for rápido o bastante? E se for Elizabeth, ou Natália, ou Bryan da próxima vez? Morlok (firme, quase paternal): — Então lute. Mesmo cansado. Mesmo ferido. Se cair, eu estarei aqui pra te levantar. Não por obrigação… mas porque você é o último homem que ainda acredita no bem. Jason (sorri fraco): — Hah… você fala como se fosse mais humano que eu. Morlok (voz suave): — Talvez, Jason… tenha sido você quem me ensinou a ser. --- O carro para diante da casa. As luzes do lar ainda acesas. Quando Jason sai, sente a perna falhar. Ele apoia-se na porta, o joelho latejando. Mesmo assim, segue. Um passo de cada vez. A porta se abre. Natália, sua filha, corre até ele — o abraço dela é apertado, como se temesse que ele se desmanchasse. Natália (voz trêmula): — Pai… você chegou. Já sabe o que aconteceu, não é? Ele apenas acena. Bryan (entrando): — A mãe do tio Jhony… foi assassinada. E agora Uriel também foi ameaçado. Jhony pediu sua ajuda. Jason respira fundo, tentando esconder a dor no corpo. Jason (olhar cansado): — Então esse velho lobo vai caçar de novo. Façam as malas… amanhã partimos. Ele sobe as escadas lentamente. No quarto, Elizabeth o espera deitada, o rosto inchado de tanto chorar, os cabelos ruivos caídos sobre o travesseiro. Jason (baixo): — Oi, amor… como você está? Elizabeth (tentando sorrir): — Eu… tive de novo aquele sonho, Jason. Tudo destruído… nossos filhos gritando. E agora isso… a morte da Marta. Parece um presságio. Ele se deita ao lado dela, passa a mão em seu rosto. Os dois se olham — o cansaço dele, o medo dela. Dois mundos à beira do colapso. Jason (sussurrando): — Eu também sinto medo, Liz. Mas te ter comigo é o que ainda me mantém de pé. Eu juro… enquanto eu respirar, nada vai te tocar. Ela sorri, lágrimas escorrendo. Elizabeth (voz embargada): — Pra onde vamos? Jason: — Los Angeles. Jhony precisa de nós. Ele a beija com ternura. E naquela noite, adormecem abraçados — dois corações marcados pelo tempo, sonhando em silêncio com um futuro incerto. Mas enquanto dormem, o pesadelo retorna: Um mundo devastado, o céu em chamas, Jason aprisionado em correntes de ferro, e um ser encapuzado reinando sobre ruínas. Os gritos de seus filhos ecoam no escuro. Elizabeth tenta correr… mas não consegue se mover. E a única coisa que ouve antes de acordar — é a risada do encapuzado. --- ”
Art Style: Mini Cute
Color Mode: Full Color
Panels: 2
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