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Prompt: “fas uma menina de cabelo curto cor castanho escuro com franja loira A Tempestade Dentro de Casa
A noite tinha caído há muito tempo, e o único som no quarto era o tic-tac irregular do relógio na parede — ou pelo menos, era assim que parecia para Mirela. Ela estava sentada no canto da cama, encolhida, com as mãos agarradas às pernas cobertas pela calça de moletom azul claro. O pijama da mesma cor, que geralmente a fazia se sentir acolhida, agora parecia um tecido estranho, que grudava na pele e a deixava ainda mais inquieta.
Seus cabelos curtos, castanhos escuros com a franja loira que ela tanto gostava, estavam bagunçados, e ela vivia passando a mão por eles, puxando os fios de forma inconsciente, um gesto que repetia desde que a sensação estranha começou.
Não era dor de barriga, nem febre, nem nada que um remédio pudesse curar. Era algo mais profundo, como se o ar do quarto tivesse se tornado pesado, denso, difícil de respirar. Tudo começou quando ela estava tentando estudar para uma prova: de repente, os pensamentos começaram a se amontoar na cabeça, uns em cima dos outros, tão rápidos que ela não conseguia entender nenhum.
“E se eu não for boa o suficiente?”, “E se eu errar tudo?”, “Todo mundo parece estar conseguindo, menos eu”, “O que eles pensam de mim quando eu viro as costas?”
As vozes na sua cabeça foram ficando mais altas, até que o silêncio do quarto desapareceu completamente. O coração começou a bater tão forte que doía no peito, como se quisesse sair para fora. A visão dela ficou embaçada, e os objetos do quarto — a escrivaninha, os livros, o urso de pelúcia na prateleira — pareciam distantes, irreais, como se ela estivesse vendo tudo através de uma água turva.
— Não, não, não… — sussurrou ela, fechando os olhos com força e cobrindo os ouvidos com as mãos, na tentativa inútil de silenciar a própria mente.
Era uma crise de ansiedade, algo que ela já tinha ouvido falar na escola, mas que era completamente diferente quando acontecia com a gente. Sentia como se estivesse afogando em terra firme, como se algo terrível fosse acontecer a qualquer segundo, mesmo que ela não conseguisse apontar o quê. O medo era tão grande que suas mãos começaram a tremer, e uma sensação de formigamento percorreu braços e pernas.
Ela tentou se levantar para chamar a mãe, mas as pernas pareciam feitas de gelo e não obedeciam. Mirela escorregou da cama e ficou sentada no chão frio, encolhida como uma bola, tentando respirar, mas cada inspiração era curta e rápida, como se ela estivesse correndo uma maratona sem sair do lugar.
Lágrimas começaram a rolar, não de dor física, mas de desespero. Ela se sentia presa dentro do próprio corpo, assustada com o que a sua mente estava fazendo. “Isso é normal?”, “Eu estou ficando louca?”, “Vou ficar assim para sempre?” — esses pensamentos só pioravam o ciclo, alimentando ainda mais a ansiedade.
Foi então que a porta se abriu devagar. A luz do corredor entrou, e a sombra da mãe apareceu. Ela tinha notado que a luz do quarto estava acesa há horas e veio verificar.
— Mirela? Minha filha! — A mãe correu e se ajoelhou no chão, vendo o estado da menina: rosto molhado de lágrimas, respiração ofegante, olhos arregalados e cheios de pânico.
Ela não perguntou “o que você tem?” de forma apressada. Apenas abriu os braços. Mirela se jogou para frente, abraçando a mãe com força, como se ela fosse a única coisa real naquele momento.
— Eu não consigo… não consigo parar de pensar… parece que vai acontecer algo ruim… eu estou com medo — conseguiu dizer entre soluços.
A mãe acariciava os cabelos dela, afastando a franja loira que grudava na testa úmida.
— Eu estou aqui, está bem? Você está segura. Isso é só a sua ansiedade tentando te enganar, mas ela não tem poder sobre você. Vamos respirar juntas, devagar. Olha para mim — disse a voz calma da mãe, que cortou como uma luz através da confusão na cabeça de Mirela. — Inspira pelo nariz… um, dois, três… segura… e solta pela boca devagar…
Mirela tentou imitar. No começo foi difícil, o peito ainda doía. Mas repetindo o ritmo, aos poucos, os pensamentos foram diminuindo a velocidade. As vozes não desapareceram de vez, mas ficaram mais baixas, como se estivessem se afastando. A sensação de irrealidade foi cedendo, e o quarto voltou a ser o seu quarto, seguro e conhecido.
— Isso é coisa da minha cabeça, mãe? — perguntou Mirela, já com a voz mais fraca, depois de um longo tempo.
— É coisa da sua mente, sim, mas não é menos real nem menos doloroso por causa disso — explicou a mãe com carinho. — A nossa cabeça também fica doente, assim como o corpo. E assim como quando temos febre, nós precisamos cuidar e procurar ajuda. Amanhã mesmo vamos marcar uma consulta com um psicólogo, para você aprender a lidar com esses momentos, certo?
Mirela assentiu, apoiando a cabeça no ombro da mãe. Ela ainda se sentia cansada, esgotada emocionalmente, mas o medo já não a consumia mais. Entendeu que passar mal psicologicamente não era um defeito seu, e sim um sinal de que precisava de cuidado, da mesma forma que quando se machuca o joelho ou se fica com dor de garganta.
A mãe ajudou ela a voltar para a cama, cobrindo-a com o cobertor. Mirela fechou os olhos, e dessa vez, mesmo que alguns pensamentos ainda aparecessem, ela sabia que não precisava enfrentá-los sozinha. A noite ainda era escura, mas dentro dela, uma pequena luz de esperança tinha se aceso.
Quer que eu também crie uma imagem estilo anime representando como ela se sentia nessa situação?”
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