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Prompt: “O vento batia forte contra o rosto dele, como se tentasse empurrá-lo de volta… mas ele não recuava.
Lá embaixo, o rio corria pesado, escuro, indiferente. Alto o suficiente. Final o suficiente.
Ele deu mais um passo.
A cabeça estava cheia demais. Pensamentos embaralhados, lembranças, arrependimentos… e um vazio estranho que gritava mais alto que tudo.
— Acabou… — ele murmurou.
Quando se inclinou pra frente, pronto pra se jogar—
Algo surgiu do nada.
Uma pomba.
Mas não era normal.
Ela veio rápido, direto na direção dele… e, no meio do voo, começou a se desfazer. Como se estivesse derretendo no ar. As penas se desfazendo em algo brilhante, quase líquido.
Ele se assustou.
Perdeu o equilíbrio.
O corpo reagiu antes da mente — ele caiu pra trás, rolando no chão áspero, longe da beira.
Ficou alguns segundos sem entender nada, o coração disparado.
— Você… ia se matar?
A voz era suave.
Ele virou o rosto.
E lá estava ela.
Sentada ali como se sempre tivesse estado, olhando pra ele com uma calma estranha. Bonita… mas não de um jeito comum. Tinha algo diferente, difícil de explicar.
Ele tentou responder, mas travou.
— Eu… — ele respirou fundo — não sei.
Ela inclinou levemente a cabeça.
— Não parece "não sei".
O silêncio ficou pesado entre os dois.
Então ele lembrou.
— A pomba… — ele falou, olhando ao redor — você viu aquilo?
Ela sorriu de leve.
— Vi.
— Ela… ela derreteu.
— Eu sei.
Ele franziu a testa.
— Como assim você sabe?
Ela levantou a mão.
E então—
Uma pomba surgiu ali, pousando suavemente em seus dedos.
A mesma.
Ou pelo menos… parecia ser.
Ele congelou.
— Foi você…?
— Foi.
Ele ficou sem palavras.
— Por quê? — perguntou, quase irritado — por que você me impediu?
Ela soltou a pomba, que voou alguns metros e desapareceu como poeira no ar.
— Porque você não queria de verdade.
— Queria sim! — ele respondeu rápido demais.
Ela olhou direto nos olhos dele.
— Então por que você se assustou?
Aquilo atingiu.
Fundo.
Ele desviou o olhar.
O vento continuava passando, mas agora parecia diferente. Menos pesado.
— Às vezes… — ela disse — a gente não quer morrer. Só quer que a dor pare.
Ele ficou em silêncio.
Era exatamente isso.
Ela se levantou e estendeu a mão.
— Levanta.
Ele hesitou… mas aceitou.
Quando ficou de pé, percebeu que estava mais distante da beira do que imaginava.
— E agora? — ele perguntou.
Ela deu de ombros, com um leve sorriso.
— Agora você decide. Mas dessa vez… sem cair.
Ele soltou uma pequena risada, meio sem querer.
A primeira em muito tempo.
capítulo 1 O Último Passo.
Quando olhou de novo pra ela—
Ela já não estava mais lá.
Só o vento.
E, por um segundo, uma pena branca caiu bem na frente dele.”
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