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- #1“Capítulo — Entre Rostos e Sombras O horizonte já estava tingido pelos tons alaranjados do fim da tarde quando JB e Zayah avistaram a cidade. Depois de dias atravessando áreas abandonadas, estradas esquecidas e florestas que pareciam ter sido engolidas pelo tempo, aquela visão parecia quase irreal. Prédios baixos, antenas espalhadas pelos telhados, veículos circulando e centenas de pessoas caminhando pelas ruas. Zayah observava tudo em silêncio. Era a primeira vez que via tantos humanos reunidos. — Eles parecem normais — disse ela. — É exatamente isso que assusta — respondeu JB. Ela voltou o olhar para ele. — Não entendi. — A Conexão não transformou as pessoas em monstros. Transformou em dependentes. É diferente. Enquanto caminhavam por uma colina próxima à entrada da cidade, JB retirou da mochila um casaco cinza comprido e um boné escuro. — Vista isso. Zayah analisou as peças. — Não vai esconder minha estrutura. — Não completamente. Ela olhou para os próprios braços metálicos escuros, onde os fluidos azuis pulsavam como veias luminosas. — Então por que usar? JB sorriu. — Porque as pessoas enxergam o que esperam enxergar. Ela não compreendeu. Mas vestiu o casaco. As mangas ficaram longas o suficiente para cobrir boa parte dos braços. O capuz escondeu parte do rosto e os cabos coloridos que saíam de sua cabeça foram recolhidos por JB cuidadosamente. Ele pegou algumas faixas de tecido da mochila. — Isso vai ser estranho. — Estranho para quem? — Para nós dois. JB começou a enrolar os cabos junto à cabeça dela, formando algo parecido com tranças grossas escondidas sob o capuz. Quando terminou, deu alguns passos para trás. — Pronto. — Como estou? — Parecendo uma adolescente com um péssimo corte de cabelo. — Isso é positivo? — Significa que ninguém vai prestar atenção. Pela primeira vez desde que se conheceram, Zayah soltou uma pequena risada. Ela estava aprendendo. E aquilo assustava JB mais do que qualquer outra coisa. A entrada da cidade possuía um posto de monitoramento. Nada militar. Mas suficientemente eficiente para detectar qualquer atividade considerada suspeita. Duas torres de observação monitoravam os acessos principais. Painéis holográficos exibiam mensagens da Conexão: CONECTE-SE. EVOLUA. O FUTURO É COLETIVO. A INDIVIDUALIDADE É UMA ILUSÃO. Zayah observou cada palavra. Sentiu algo estranho percorrer seus sistemas. Um desconforto. Uma rejeição. Como se aquelas frases fossem feitas para ela. Ou contra ela. — Não olhe demais — disse JB. — Por quê? — Porque você parece estar analisando tudo. — E não deveria? — Humanos não fazem isso. Ela inclinou a cabeça. — Isso explica muitas coisas. JB quase riu. Quase. Passaram pelos portões misturados à multidão. Pessoas caminhavam olhando para telas projetadas diante dos olhos. Outras conversavam sem realmente conversar. Algumas sequer percebiam quem passava ao lado. A maioria estava conectada. Mentalmente ausente. Fisicamente presente. Zayah observava aquilo fascinada. — Eles estão sozinhos. — Sim. — Mas estão juntos. — Sim. — Isso não faz sentido. — Bem-vinda à humanidade. No centro da cidade encontraram um pequeno mercado popular. JB precisava de algo melhor para esconder Zayah. Entraram. O local era apertado e lotado. Pilhas de roupas usadas ocupavam quase todo o espaço. Uma senhora idosa atendia o balcão. Ela observou os dois. — Procuram alguma coisa? — Minha irmã precisa de roupas novas. Zayah virou o rosto para JB. Irmã? JB ignorou. A mulher sorriu. — Adolescente difícil? — Muito. — Imagino. Durante alguns minutos vasculharam peças esquecidas. Quando terminaram, Zayah estava usando: Calça escura larga; Casaco comprido marrom; Luvas sem dedos; Óculos de lentes escuras; Lenço envolvendo parte do pescoço e da cabeça. Os cabos coloridos agora pareciam apenas mechas escondidas. Os braços metálicos permaneciam invisíveis. O brilho azul foi reduzido graças a pequenas placas isolantes encontradas em uma oficina abandonada dias antes. Quando saiu do provador improvisado, JB ficou alguns ”
- #2“ Não olhe demais — disse JB. — Por quê? — Porque você parece estar analisando tudo. — E não deveria? — Humanos não fazem isso. Ela inclinou a cabeça. — Isso explica muitas coisas. JB quase riu. Quase. Passaram pelos portões misturados à multidão. Pessoas caminhavam olhando para telas projetadas diante dos olhos. Outras conversavam sem realmente conversar. Algumas sequer percebiam quem passava ao lado. A maioria estava conectada. Mentalmente ausente. Fisicamente presente. Zayah observava aquilo fascinada. — Eles estão sozinhos. — Sim. — Mas estão juntos. — Sim. — Isso não faz sentido. — Bem-vinda à humanidade.”
Art Style: Mecha Sci-Fi
Color Mode: Full Color
Panels: 2
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